Só quem viu o relâmpago à sua direita sabe
Ergam-se, filhos e filhas da terra Desencantam-se da história humana Pois, seus caminhos sempre retornam à ruína e vergonha Agitem-se contra à condição do tempo Reunam-se com pedras e fogo Lutem criaturas da terra Gritem e cantem Cantem e dancem Dancem e toquem Toquem e chamem Chama à terra Chama e aterra Chuva que traz frio, ae!
Submitted by NecroLord — Jun 25, 2026
"São todas as falhas que caem sob o céu" Enquanto engasgo Com uma miríade de falhas Sonhos tomam mais forma Que a vida acordada Banhado pelas flechas do sol Encharcado por nada além de luz Me sinto esvaziando para o fim Todas as cores se resumem Ao preto e branco Todos os barulhos se tornam música Permaneço alto quanto as árvores Que me circundam e formam minha casa A natureza do pensamento E a percepção do tempo São bocas que se cospem Em direção à Anciente Desnaturação de Si-Mesmo Desmantelado em forma Humana Eu só sonho com rios е os ventos Que saudade da minha tеrra Eu só vejo o mar, areia e o Sol Traz de volta a minha terra Tu és bicho Nós somos a dúvida Nossos filhos são os ventos Nossa mãe é a terra Nosso pai é o pavor E quando não houver mais nada Além de água em todas as moradas Dos vestígios de nossa extinção O Silêncio herdará sua ascensão E quando não houver mais nada Além do fim e sua alvorada Em quietude de desolação O Silêncio será nossa redenção Tu foi bicho Vivemos só dúvida Nossas crias já deram seus últimos suspiros E paz está de volta
Submitted by NecroLord — Jun 25, 2026
Quem ouviu o trovão E se banhou no veneno Da antiga serpente Está fadado a permanecer Suspenso no Não-Saber O tempo para de fluir E despenca rumo ao passado Mirações são incertas Herdadas de outras vidas De mundos que estão sempre mudando Cantos distantes ecoam na memória E nos sonhos coletivos Que velados pela mãe-dúvida São ouvidos no silêncio da mente no mais alto volume: "Não há nada Divino Nunca houve algum Deus" Tudo é nada e nada é tudo Nunca houve algum Eu" Para cada crença, uma torre Para cada torre, um terremoto Os tremores, algozes das certezas Que uma vez erguidas, são esmigalhadas Regozijem-se! Lambuzem-se com o Enigma Singularidade espiritual obliterada Todas as coisas valem o mesmo Nacos de matéria, finitos Concepções, valores e abstrações Se limitam ao alcance das palavras Que escapam do que há de mais sóbrio As coisas apenas são e serão Como pedras que esfarelam Submersas em águas correntes Que nunca são vistas nem ouvidas A ação do tempo traz o esquecimento De uma fissura que rasga a realidade Foi cuspida a psiquê Devastadora como trovões Só quem viu o Relâmpago à sua direita sabe
Submitted by NecroLord — Jun 25, 2026
E são sons que te trazem de volta E são sons que te fazem lembrar Quando se deixa o corpo O corpo nao é mais o mesmo E são sons que te trazem de volta ao lar E são sons que te fazem mergulhar de volta à origem Quando o véu da separação cai Mãos, pés e terra se confundem Realiza-se o ânimo do absurdo Engolido por uma imensidão Para o silêncio, boa morte E são sons que te trazem de volta a si E é o silêncio que te faz aceitar tua ida Bom retorno
Submitted by NecroLord — Jun 25, 2026