Canudos
(<em>Instrumental</em>)
Submitted by Celtic Frost — Jun 18, 2026
Belo Monte Meu castelo, meu império, meu reinado, meu congado após 28 anos pregando pelo sertão. Reuniu-se a Maciel uma grande multidão. Eu vou pra Belo Monte, eu vou lutar! A liberdade por um triz, fundaram Belo Monte à margem do rio Vaza-Barris. Bendito solo e o fogo santo! Eu vou pra Belo Monte, eu vou lutar! Não vou morrer sozinho. A vida eterna é dada a quem lutar. Ah, esse é o mistério, o sertão vai virar mar, o mar virar sertão. Quem quiser é só vir pra se ajuntar. Quem quiser é só vir pra se ajudar.
Submitted by Celtic Frost — Jun 18, 2026
Não Temos Nada a Temer Não temos nada a temer se Deus nos dá o que dá. Cruzamo(s) o mundo a pé pra poder trabalhar. Só nos resta a terra e chuva se Deus deixar. Eu canto com repentista e pros santos vou rezar. Me cale que eu mesmo falo, me ameace que eu gargalho, me proíba que eu corro e faço, tentem me matar que eu renasço! Conselheira prega a vida, diferente do povo golpista. Chanchanchada tropicalista. Bala, boi, Bíblia e milícia. Xique-Xique, Maria e José. Na justiça divina a certeza pra cantar os autos e firmar em pé a minha cabeça. Me cale que eu mesmo falo, me ameace que eu gargalho! Temer pra quê? Temer vem me pegar! Alma impura, o corpo apodrece. Alma pura transmigra. Alma impura, o corpo apodrece. Alma pura transmuta, rejuvenesce, transmigra, projeta, ascende. Não temos nada a Temer!
Submitted by Celtic Frost — Jun 18, 2026
O Minuto Antes da Batalha Soldado, por que atira nos seus? Não se reconheces mais? Estás cego? És branco? Só porque tens o bastão e o gás? Escudo de Satanás! Tenente Ferreira, deu pra ti em Uauá. Ouviste os apitos, conheceste a procissão que não era pra rezar. Major Febrônio, por que se arriscaste tanto? Por que não nos deixou em paz? O minuto antes da batalha. Quero ouvir quando o coração dispara. O minuto antes da batalha. Mostre suas feras que eu mostro minha cara. Coronel Moreira César, assassino legal. Cortador de cabeças, metido à besta tombou baleado como o subordinado. Canalha! Exército debandou, deixou o teu corpo pra trás. Por nós foi incinerado pras cinzas nada restar. Avise ao seu Presidente para nos deixar em paz. Governo ilegítimo convocou o General Artur Oscar. Vai! Delírios de quem repassa o que ouve falar. Que Salvador seria invadida, que os cubanos matariam todos os paciente(s), que as balas explosivas enviadas aos Canudense(s) vinham do exterior a mando da Princesa que conspirava contra a ordem estabelecida. A revolução pra restaurar a Monarquia combatida pelo lava rabo e sua franquia internacional.
Submitted by Celtic Frost — Jun 18, 2026
(<em>Instrumental</em>)
Submitted by Celtic Frost — Jun 18, 2026
A Conselheira Em torno da Conselheira tanta estruturação. Auxilia os seguidores a começar nova vida. Leão Ramos, o escriba, Manoel Quadrado cura, Taramelo guarda a(s) igreja(s), sobe aos céus pousa na lua. A Conselheira aconselha que a centelha é vermelha! Pajeú já foi soldado, cometeu alguns pecados. Hoje fiel dedicado mostra o peito aberto em flor. Antonio Fogueteiro cata os chifres do(s) boi(s). Faz as balas que pega(m) no peito do Moreira César. João Abade, chefe do povo, temido pelos seus, tem a(s) arma(s) e munição. João! João! João! João! Ave Maria! Santa Luzia!
Submitted by Celtic Frost — Jun 18, 2026
Sonho Acabado Não poderiam deixar dar certo porque dá certo demais. Canudos a todos pertence e saiba que a ninguém mais. Os chacais olham com desdém, calúnias de todos os lados, culpam a Princesa Isabel das armas ter importado. A lenda de Canudos ecoa no Calabouço, em Araguaia, sobrevive em Caparaó, justiça tarda mas não falha. E saiba que você é o culpado, joguete da CIA. Foram os teus 20 centavos que acabaram com a democracia. Oportunidade desperdiçada. Deixaram passar, ninguém fez nada. Se acovardaram, só sabem reclamar, só sabem criticar. Medíocres, pequenos, rasos, vazios. Me diz quem foi. Dê nome aos bois. Me diz quem foi. O sonho acabou. Te pego com a faca afiada às 3 da manhã. Eu te pego e sabe o por quê? Eu vou te dizer. Porque você é o culpado! Escolhe aí qualquer otário. É só dar o nome pros bois que a piranha come o coitado. Olho por olho, rala o peito, não sobra nem o sapato direito. Justiça para justificar e o jornal para empastelar. Cês sabem nada! Mataram Getúlio Vargas! País desgraçado! Antonia Conselheira não foge do diabo. Enfrenta o chifrudo e agarra firme o seu rabo!
Submitted by Celtic Frost — Jun 18, 2026
Cocorobó Nada se constrói sem confiança. Construímos juntos a esperança. Doar os filhos pela causa. Macambira, Pedro e Rufino. Morreu nosso menino. Guardem nossa Antonia Conselheira. Deodato, Beatinho, Deocleciano. Timotinho, o sineiro, não pare de badalar, badale de onde está. Todo fim anuncia um começo, dois começo. Todo fim anuncia três começo, quatro começo. Belo Monte! Todo pobre tem dignidade, basta terra, trabalho e liberdade. E ver os fogos espocarem. Brizola, Darcy, Freire, Furtado, Teixeira, Marighella, Lamarca, Florestan, Prestes, Apolônio! Ver o inimigo invisível. Todo fim anuncia cinco começo, seis começo. Todo fim anuncia sete começo, oito, nove, dez começo! Vejo os inimigo(s) lá no alto da favela. Apontado para nós suas boca(s) de canhão. Aquela Bandeira no pau estendida. É mortalha certa para os corpos sem vida. Cocorobó! O início do fim! Cocorobó! Jagunços do governo! Cocorobó! Superaram as quipás! Cocorobó! Matadeira, desgraceira, fura que nem peneira. Tenho medo mas eu vou lutar! Não tenho medo mas eu vou lutar porque acredito na Conselheira.
Submitted by Celtic Frost — Jun 18, 2026
Araçá do Peito Azul de Lear Feia! Tua civilização é feia. “Vim para matar ou morrer.” “Não venho ofender nem acusar.” Araçá do Peito Azul de Lear. Não te disse? Memória que insiste não desiste mesmo que afunde sob o açude meio século depois do mal. Voe pra bem longe da fúria dos homens. Araçá, raça.
Submitted by Celtic Frost — Jun 18, 2026
Gravata Vermelha Canudos quase devastada. A moral alquebrada. Beatinho, branca bandeira acenou pra salvar 300 famintos. Apesar das promessas do exército nada foi cumprido. Os homens todos degolados, mulheres e crianças tornandos escravos. Aprenderam a degolar lá no Paraguai! Ô se é! Tem quem se negue a negociar. Conselheira não se submete. Padim Ciço até estátua tem. Aprendeu cedo aresta aparar. Pedaladas fiscais, argumentação do baixo clero movida a cocaína, capitães do mato e coronéis. Aprenderam a degolar lá no Paraguai! Brasileiro cordial, conversa fiada. Povo escravocrata, lâmina afiada. Para poupar balas não faz prisioneiros, não gasta com comida e nem poupa vida. Lá, lá, lá, lá, lá, lá! A gravata é vermelha! Aprendi desde menino a cortar bem fino no estilo uruguaio. Bebi muito sangue Guarany. Tirei escalpo(s) daqueles índio(s) otário.
Submitted by Celtic Frost — Jun 18, 2026
Liberdade Sim, há mais de um caminho. Há solução para aluminar a escuridão. Abram suas mentes, despertem o coração. Não se submetam a qualquer servidão. Liberdade antes que tardia. Ergam os punhos! Defendam o sonho! Sim, a terra é de Deus. Pertence a quem plantar e colher. A terra pertence a quem nela viver. Não vamos morrer! Não vamos morrer sozinhos!
Submitted by Celtic Frost — Jun 18, 2026
Favela Crianças mamando em esqueletos ressequidos insepultos, Contestado, Vietnã, Canudos, Complexo do Alemão. Se Jesus existisse cuspiria em tua cara. Acomodado em berço esplêndido. Um velho coxo, um negro atrás, um caboclo e um rapaz. Os quatro últimos resistentes. Cães retornam às casas incendiadas. Metade do Exército arrasado. Podem até ganhar mas isso não é vitória, condeno-os à maldição da favela! Mais, mais, mais, mais, mais. Por mais que matem multiplicar-se-ão como baratas. Não adianta negar! Não adianta matar-tá-tá-tá-tá! Defenda-me meu pai. Defenda-me minha mãe. Fecha o meu corpo contra todo mal, contra bala, faca, ordem injusta.
Submitted by Celtic Frost — Jun 18, 2026
Ordem e Progresso Parabéns ao Vice-Presidente, à hipocrisia dessa gente, à sanha dos insensatos, às panelas e patos. Renego o fato consumado. Impostos e República são coisas do diabo. Ordem e Progresso! No teu peito mais tumores! Estilhaço de bala ou doença, o motivo não faz diferença. 22 de setembro se foi, invadiram Canudos dez dias depois. Resenzala, refazenda, campos de concentração. Que tremendo sucesso. Bela, recatada e do lar. Ordem e Progresso na Casa de Petrópolis, na rua Tutóia! Luta meu povo não importa quem vai ganhar! Luta meu povo até o último restar!
Submitted by Celtic Frost — Jun 18, 2026